Holofotes da sustentabilidade focam no Brasil

Os holofotes internacionais estão direcionados para o Brasil. A Copa do Mundo acaba de começar, e os Jogos Olímpicos serão realizados no país dentro de dois anos. O Brasil declarou que ambos os eventos internacionais serão os mais sustentáveis já realizados. A Estratégia de Sustentabilidade da Copa do Mundo da FIFA 2014 declara que irá promover alimentos orgânicos e sustentáveis, utilizar energia solar nos estádios, compensar as emissões de carbono e fomentar uma mudança social positiva. No entanto, quão sustentável é o Brasil, e como a América Latina está em comparação com outras regiões?

O continente latino-americano tornou-se um grande produtor de artigos sustentáveis, tais como ingredientes naturais, alimentos orgânicos, madeira sustentável e comércio justo de artesanato. Contudo, uma pesquisa realizada pela Organic Monitor identifica que a região não se tornou uma consumidora importante, e pussui uma realidade de consumo local de produtos sustentáveis muito reduzido.

Com 6,8 milhões de hectares, a América Latina possui 18% das terras agrícolas orgânicas do planeta. Produtos orgânicos no valor de mais de US$ 1 bilhão são exportados da região a cada ano. No entanto, os mercados locais possuem um tamanho insignificante. A região é também uma grande fonte de produtos de comércio justo, como o cacau, o açúcar e o café, ainda que não exista para eles um mercado doméstico. A maioria dos produtos certificados pela Rainforest Alliance e pela UTZ que são cultivados na região têm como destino a Europa e a América do Norte.

Conforme será discutido na Cúpula dos Cosméticos Sustentáveis, o grande desafio para a América Latina é desenvolver mercados locais para produtos sustentáveis. Vários estudos demonstram que cresce a consciência dos consumidores a respeito de questões relacionadas à sustentabilidade. Porém, esta consciência não se traduz em demanda. O escasso conhecimento dos consumidores quanto aos métodos de produção sustentáveis e o preço elevado dos produtos são mencionados como barreiras para o crescimento desse mercado.

O Brasil possui o maior mercado de produtos sustentáveis da região. Sua rede varejista de maior sucesso é a Pão de Açúcar, que comercializa cerca de 700 produtos orgânicos com sua marca própria Taeq. A rede estabeleceu parcerias com produtores locais para garantir o abastecimento de produtos certificados. Outros varejistas, entre eles as redes Wal-Mart e Carrefour, também estão investindo em linhas de produtos sustentáveis.

A Native Products é uma das poucas empresas latino-americanas do setor alimentício que desenvolveu uma forte presença no mercado. Os produtos orgânicos da Native estão presentes em mais de 20 mil pontos de venda brasileiros. Seu sucesso se deve parcialmente à sua grande variedade de produtos, que vão desde açúcar, café, sucos e cereais matinais a barras de cereais. A Native Products também fornece ingredientes naturais à indústria de cosméticos.

Um grande obstáculo ao crescimento do mercado doméstico é o comportamento do consumidor. Muitos latino-americanos consideram um luxo adquirir produtos orgânicos, de comércio justo e outros que possuam selo ecológico. Os consumidores podem estar tomando mais consciência a respeito de questões relacionadas com a sustentabilidade, mas as percepções terão de mudar para que os mercados locais possam fincar suas raízes.

Os desafios associados com a produção e o consumo sustentáveis serão tema da edição latino-americana do la Cúpula dos Cosméticos Sustentáveis. O evento será realizado juntamente com a in-cosmetics Brasil de 10 a 12 de setembro.

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