O que há de novo em higiene?

O que há de novo em higiene?

O setor de higiene e limpeza da América Latina vive um de seus melhores momentos. Por exemplo, a revista Semana de Colômbia, recentemente indicou que alvejante (hipoclorito de sódio) é o novo protagonista dos gastos na limpeza doméstica, crescendo a taxas de 50%, enquanto a compra de detergentes cresceu perto de 24% em 2020. A categoria de higiene tem 30% de participação no mercado de cosméticos na América Latina. O mercado de sabonetes líquidos tem uma projeção de crescimento com um CAGR de 14,07% para o período 2020-2025. Na região, esses segmentos têm crescido, em parte devido à pandemia e também por compras impulsivas de suprimentos pelos consumidores.

Na América Latina, podemos ver dois compradores diferentes. Primeiro, os restritos (aqueles economicamente afetados pela pandemia) e os compradores protegidos (aqueles que não sofreram impacto financeiro). Esses dois grupos têm comportamentos e prioridades de compra diferentes, resultando em hábitos diferentes em relação à categoria de higiene. A seguir, veremos algumas das tendências mais interessantes dessa categoria.

Lojas low-cost: Esses formatos estão em alta na região e apresentam conceitos muito interessantes. Em Bogotá, por exemplo, agora é comum encontrar lojas de baixo custo também em setores e shopping centers exclusivos da cidade. Para compradores restritos, essas lojas oferecem alternativas de produtos acessíveis e tamanhos acessíveis de diferentes categorias, como saneantes, desinfetantes, sabonetes, xampus e outros produtos da categoria de higiene, enquanto para compradores protegidos, a oportunidade está no desenvolvimento de embalagens tamanho familiar e recipientes com boa relação custo-benefício.

Generation C (Coronavirus): Kantar publicou no dia 8 de fevereiro um artigo interessante sobre como os hábitos de consumo dos millennials e centennials irão mudar. A preocupação financeira é muito mais visível entre os jovens, pois 43% dessa geração sente a necessidade de ser mais pró-ativa no planejamento financeiro, o que influencia esses segmentos a darem mais atenção aos preços. Isso se reflete no fato de que as marcas devem inovar em novas experiências de consumo, principalmente ofertas digitais e personalizadas. Essa população tem uma limitação drástica de contato pessoal, não tem condições de viajar e, por exemplo, em alguns casos, não conhece pessoalmente seus colegas de estudo ou de trabalho. É por isso que a oportunidade para marcas com esta geração está ao nível do contacto emocional e este é um factor determinante para os novos conceitos na categoria de higiene. As marcas devem servir de modelo.

Sabonete sem sabonete: Este claim ganhará popularidade nos sabonetes de limpeza íntima, pois está relacionada a produtos de limpeza desenvolvidos para peles sensíveis e com alto teor de agentes prebióticos, probióticos e pós-bióticos em alguns casos. O ácido lático ainda é popular em formulações para essa área.

Intimate mosturizer: Estamos vendo o lançamento de fórmulas hidratantes especiais para a genitália externa feminina que ajudam a melhorar sua textura e aparência, aliviar o ressecamento e a coceira, aumentando o bem-estar.

Covid-proof hair: O mercado de hair care da América Latina é um dos mais importantes do mundo. Novos formatos estão em alta, como sanitizer leave-on que têm propriedades anti-sépticas. Immune hair é um novo conceito no qual veremos algumas inovações este ano.

Disinfection 360: Na região estamos vendo inovação no conceito de desinfecção 360º, que inclui produtos desinfetantes que podem ser usados ​​em solas de calçados, roupas, embalagens, alimentos, frutas, mãos … este tipo de formato vem ganhando popularidade, pois eles permitem praticidade.

Safety obsession: Os consumidores exigem serviços sem contato, padrões de saneamento excepcionais e produtos que melhoram a higiene e a imunidade. Skin immunity é um conceito com grande oportunidade de inovação para produtos da categoria de higiene e limpeza.

Intimate cloths: Novos lançamentos de panos íntimos para a limpeza íntima de homens e mulheres. Na região também vemos produtos diferenciados, como o lançamento de calcinhas para o período menstrual, que são ecologicamente corretas, podem ser lavadas e permitem certo número de utilizações.

Aroma-cleaning: Desinfecção, limpeza e higienização são claims que começarão a estar mais presentes nos lançamentos de perfumes, fragrâncias e splash corporais.

You are showering too much: Recentemente, o portal de notícias da BBC publicou uma nota onde James Hamblin, especialista em medicina preventiva e professor da Universidade de Yale, questiona como e quanto tomamos banho. Hamblin tem 37 anos e há cinco decidiu parar de tomar banho. Ele escreveu em 2016 o artigo I quit showering, and life continued (Eu parei de tomar banho, e a vida continuou) na revista americana The Atlantic, em que indica que passamos dois anos inteiros de nossas vidas tomando banho e questiona quanto desse tempo, dinheiro e água podem ser desperdiçados e em 2020, ele publicou outro artigo intitulado You’re showering too much (Você está tomando banho demais). No entanto, Hamblin insiste em nunca parar de lavar as mãos com sabonete. Ele também lançou o livro Clean: The new science of skin and the beauty of doing less (Clean: A nova ciência da pele e a beleza de fazer menos). Produtos com menos água, que requerem menos água na produção e também menos água no uso, continuam na moda.

Intimousse: A textura mousse é o novo preto. Estamos vendo como as fórmulas para limpeza de áreas íntimas inovam nesse formato. Os usuários estão se tornando fãs dessa experiência sensorial, que se torna uma necessidade pelo maior cuidado que estamos tendo com as quarentenas.

Packaging innovations: Este ano estamos vendo conceitos como embalagens sustentáveis, embalagens reutilizáveis, grab-and-go packaging (embalagens para chegar, levar e sair, são ideais para passar menos tempo em armazéns, restaurantes e outros pontos de consumo) e decisor packaging (embalagens que ajuda a tomar decisões de compra rápidas).

Hyper-hygiene: A indústria cosmética deve estar atenta a uma tendência que já está sendo gerada pelo uso excessivo de produtos de limpeza. Os hábitos de higiene desenvolvidos durante a pandemia podem se tornar um problema de saúde pública a médio e longo prazo e esta é uma grande oportunidade de inovação para o nosso setor. Uma publicação recente do Instituto Canadense de Pesquisa Avançada indica que o sistema imunológico é enfraquecido sob condições extremas de limpeza. O microbioma e o viroma da pele estão sendo severamente afetados pela higienização excessiva e os problemas dermatológicos estão se tornando mais frequentes. As projeções indicam que a higienização constante das mãos continuará sendo a norma no mundo pós-pandêmico e, paralelamente, enfrentaremos os problemas dermatológicos que ela irá gerar.

Hygiene and beyond… A projeção é que a pandemia continue por um tempo considerável e, portanto, a oportunidade de inovação na categoria de higiene é ampla, pois inclui também outros segmentos e será muito dinâmica nos próximos anos.

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Farmacêutico (Universidade Nacional, Colombia), com um Master em Desenvolvimento Sustentável (EOI Business School, Madrid) e estudos de pós-graduação em Marketing, Ciência Cosmética e Neuromarketing. Ele tem 28 publicações em revistas científicas e um capítulo de livro em formulação cosmética. Maison G de Navarre Prize (IFSCC 2004), Henry Maso Award (IFSCC 2016) e melhor trabalho científico em Colamiqc Equador 2009, Colamiqc Brasil 2013 e Farmacosmética Colombia 2014. Ele foi palestrante em várias conferências internacionais na Europa e América Latina. Desde 2013 escreve a coluna "Tendências" na revista Cosmetics & Toiletries Brasil. Ele é membro da Scientific Advisory Board de Cosmetics & Toiletries dos EUA. Presidente da Accytec Bogotá 2017-2019. Ele é atualmente Cientista Pesquisador Sênior na Belcorp, Colômbia.

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