Panorama e perspectivas para a indústria de cosméticos brasileira

A indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC) interrompeu um ciclo virtuoso de crescimento de dois dígitos. Estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) indica que o mercado brasileiro cresceu em torno de 3 a 3,5%, em 2013. Extremamente baixo, para um setor, que nos últimos 17 anos, apresentou crescimento médio deflacionado de 10% ao ano.

Muitos foram os fatores responsáveis por essa perda de performance, dos quais podem ser mencionados a inflação resistente, menor oferta de crédito e juros em elevação. 

Outro fato marcante que com certeza afetou o desempenho do mercado de cosméticos, foi o atraso na aprovação dos produtos de grau 2 pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – cujo o prazo médio de espera pela liberação dos processos extrapolou os usuais 45 dias e atingiu a marca de 200 dias. A indústria de cosméticos que tem forte apelo de lançamento de novidades – em geral, produtos mais elaborados, com valor agregado maior -, amargou sérios prejuízos. Em matéria publicada na Cosmetics & Toiletries Brasil, edição jan/fev 2014, João Carlos Basílio, presidente da Abihpec, declarou que devido a esse atraso, a indústria deixou de faturar cerca de R$ 1 bilhão, gerar 6.500 empregos e recolher cerca de R$ 340 milhões em impostos. 

Os números consolidados referentes às categorias de produtos em 2013 ainda não foram disponibilizados, mas Basílio destaca o segmento de protetores solares, cujo desempenho deverá surpreender o mercado de forma muito positiva, graças aos dias ininterruptos de calor, desde o final de dezembro. No segmento de higiene pessoal, ele ressalta o crescimento expressivo na categoria de desodorantes, que avançou 12,4% em volume e 21,66% em faturamento até agosto de 2013. Basílio também destaca o fortalecimento da perfumaria no mercado de franquias: “houve um crescimento bastante significativo (no segmento de perfumaria) em comparação com o mercado tradicional e o de venda direta”. 

Hoje o setor de cosméticos representa 1,8% do PIB nacional. O Brasil ocupa a terceira posição no mercado mundial, apenas superado por Estados Unidos e Japão. 

No Brasil estão instaladas 2.412 empresas atuando no mercado de HPPC, segundo a Abihpec. Quanto á localização geográfica, 46 delas estão na região Norte; 169 no Centro-Oeste; 242 no Nordeste; 1.487 no Sudeste; e 468 na região Sul. Outro dado significativo é que, desse total, 20 são empresas de grande porte – a maioria multinacionais -, com faturamento líquido acima dos R$ 100 milhões, representando 73% do faturamento total do setor. 

Num cenário de desacertos na economia, realização da Copa do Mundo de futebol e eleições presidenciais, falar sobre as perspectivas para 2014, é um difícil exercício de futurologia. 

Economistas divergem em suas previsões para 2014, mas há um consenso de que este será um ano de crescimento lento a moderado, com PIB abaixo de 2,0%. Um estudo do Banco Mundial para 2014, divulgado no início do ano, aponta crescimento de 2,4% no Brasil; de 2,8% nos EUA; de 7,7% na China; de 6,2% na Índia; e de 1,1% na zona do Euro. Na matéria da Cosmetics & Toiletries Brasil, João Carlos Basílio declarou ainda que para 2014, a expectativa de crescimento está dentro do que o setor está acostumado, crescimento real entre 7% e 10%.

Hamilton dos Santos é Publisher da revista Cosmetics & Toiletries Brasilhttp://www.cosmeticsonline.com.br/

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