Atenção aos detalhes

No mercado de beleza os detalhes costuma fazer toda a diferença. Quando o assunto é embalagem então, pequenos incrementos na qualidade, o detalhe de algum elemento ou acabamento, uma cor um pouco diferente, tudo isso permite um ganho gigantesco no resultado final de um frasco ou de um cartucho por exemplo. Esse é provavelmente, o próximo passo que precisa ser dado pela indústria de beleza no Brasil e por seus fornecedores de embalagens, para elevar o padrão médio dos produtos brasileiros para patamares de qualidade compatíveis com as de países desenvolvidos. Evoluímos muito nos últimos 20 anos, não restam dúvidas. Mas essa última perna do trajeto, provavelmente a mais difícil – e que já foi superada em boa parte pelos segmentos de fragrâncias e ativos e ingredientes, ainda precisa ser percorrida pelos fornecedores de embalagem.

A dificuldade de melhorar nos detalhes está no fato de que, geralmente, eles demandam mais especialização, tempo e atenção. E olha que o que para nós ainda está no campo dos detalhes, em mercados como o asiático ou o europeu, já é básico há muito tempo. Por mais simples e popular que seja o produto, dificilmente você vai virar o frasco de cabeça para baixo e ver algum tipo de rebarba ou ponta remanescente do processo de sopro da embalagem.

Já por aqui, eles são uma marca registrada em produtos para o cabelo e a pele de empresas de pequeno e médio porte. E isso mesmo em produtos de marcas que se posicionam como premium. Mas, dá para considerar premium o produto de uma marca que não atenta para esses detalhes? A mesma comparação é válida para quase todos os outros segmentos de embalagens.

Eliminar esses pontos negativos e, ainda por cima, ter condições de incorporar às embalagens os detalhes que agregam valor à embalagem, à marca, ao negócio como um todo, vai exigir investimentos em equipamentos mais modernos, mão de obra mais qualificada e, porque não, de mais players internacionais interessados em abocanhar um pedaço do bolo. A competição com as empresas internacionais no final dos anos 1990 e início dos 2000, permitiu um grande salto de qualidade nas embalagens dos perfumes e cosméticos locais e fez com que os fornecedores de embalagens do país lutassem para elevar o padrão de qualidade. Foi sofrido. Mas, no final valeu a pena.

Digo mais uma vez: melhoramos muito. Mas, temos que nos esforçar e investir muito para vencer essa última etapa e permitir que as marcas locais de diferentes portes, desfrutem dos mesmos recursos que suas congêneres estrangeiras.

Aûani Cusma de Paula é o Editor da Revista Atualidade Cosmética.
http://www.cosmeticanews.com.br/

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