Beautyverse: tendências na indústria da beleza

Beautyverse: tendências na indústria da beleza

Em maio de 2021, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, chamou de metaverso a convergência dos mundos virtual e físico, agora uma das tendências mais interessantes porque busca a imersão digital total por meio de um universo conectado à internet. No metaverso, incluindo o Beautyverse, os consumidores podem ter experiências diferentes, impulsionadas pela economia virtual e pelos princípios financeiros atuais.

Nesse universo, que pode ser multidimensional e suportado pela tecnologia tridimensional, realidade aumentada e realidade virtual, as pessoas podem se encontrar para participar de diversos jogos, participar de eventos, acessar informações, adquirir bens ou trabalhar.

E claro, muitas empresas de quase todos os setores apostam nessa nova realidade, como o Beautyverse. Uma publicação recente no Portal Marketing Directo indica que o metauniverso tem três componentes: a velocidade com que a tecnologia muda, as variações nos comportamentos sociais e as tendências relacionadas a esse mundo. Uma publicação de 2021 no site Emergen Research indica que, em 2020, o mercado global do metaverso foi de US $ 47,69 trilhões, com um CAGR projetado de 43,3% para 2028 e um valor estimado de US $ 828,95 trilhões.

Beautyverse = Beauty + Metaverse

A indústria da beleza conhece bem essa realidade e, diante de tal oportunidade de mercado, estamos vendo novas tendências muito interessantes que, sem dúvida, irão impulsionar a inovação nos próximos anos no fascinante mundo do metaverso. 

Covid & Metaverse

A pandemia foi um acelerador dessa tendência. Devido ao fato de muitos de nós trabalharmos remotamente e os alunos estarem virtualmente imersos, surgiu a necessidade de tornar a interação online mais realista. Certamente, a Covid-19 acelerou o desenvolvimento de comunidades virtuais e realidade mista. 

Sonde mental fitness

Em outubro de 2021, a empresa digital de saúde mental Sonde Health anunciou o lançamento do “Sonde Mental Fitness”, que usa dados biométricos de voz para avaliar o bem-estar mental de um usuário.

A nova ferramenta trabalha com tecnologia de processamento de sinais de áudio e algoritmos de aprendizado de máquina que, após analisar as características vocais de um usuário por 30 segundos, podem detectar flutuações em seus estados mentais. 

NFT

Beautyverse cosmeticos

Em novembro de 2021, uma postagem do Vogue Business apresenta uma imagem muito interessante sobre para onde a beleza está se dirigindo no metaverso, já que os consumidores estão começando a adotá-la de maneiras diferentes. Por exemplo, várias pessoas já experimentam a realidade aumentada ao selecionar e comprar um produto, enquanto outros mais experientes podem estar prontos para comprar um NFT de uma marca de beleza.

Nesse sentido, a BBC explica que NFT corresponde à sigla de “token não fungível”, conhecido como token digital ou voucher digital. Em economia, um ativo fungível é algo com unidades que podem ser facilmente trocadas, como dinheiro. Os NFTs são um ativo “inimitável” no mundo digital que pode ser comprado e vendido como qualquer outro tipo de propriedade, mas não têm forma tangível. E claro, NFT é um termo que também está se tornando moda em cosméticos.

Em outubro de 2021, a Clinique criou a sua primeira NTF e indica que seu objetivo é modernizar as experiências dos seus consumidores e estabelecer uma nova presença no metaverso. 

Cosmetic videogames

Novamente, o Portal Vogue Business fala também de um achado muito interessante que representa uma oportunidade definitivamente não explorada pela indústria cosmética. Os jogos são muito mais comuns do que pensamos, especialmente entre as mulheres. Na verdade, o artigo aponta que é um erro pensar que apenas adolescentes e homens jovens jogam videogame.

O artigo menciona ainda que, em 2021, 53% dos fãs de beleza jogavam ou baixavam um jogo grátis. Inclusive, já observamos no mercado interações híbridas entre fragrâncias, produtos de tratamento facial e maquiagem, inicialmente na categoria prestígio, com jogos online e virtuais, onde os usuários têm a oportunidade de conhecer as marcas e os benefícios dos produtos.

Sem dúvida, essa é uma ótima estratégia que ajudará no posicionamento das empresas. Por exemplo, o Drest é um aplicativo de jogos para dispositivos móveis no qual os usuários precisam competir em desafios relacionados ao estilo. As aplicações do perfume Phantom, de Paco Rabanne, são outro grande exemplo dessa tendência. 

Lojas virtuais de dermatologia

Foi lançada recentemente, nos Estados Unidos, a primeira loja virtual desse tipo para uma marca de prestígio no mercado, a Virtual Lancer Dermatology Shop. Nela, os usuários podem interagir com um avatar do dermatologista do Dr. Lancer. Ainda, podem fazer questionários, receber recomendações, assistir a vídeos educativos e participar de eventos específicos.

Metaverse nails

Metaverso unhas digitais

Este é um novo conceito de hologramas de unhas portáteis. A empresa indica que é o único produto em todo o mundo que permite adornar seu próprio eu digital e físico com hologramas personalizáveis.

A marca também possui acessórios de moda colecionáveis ​​que interagem com um aplicativo social 3D que ativa uma ampla gama de hologramas que podem ser capturados e compartilhados em tempo real em todas as redes sociais. 

Metaverse inspiration

A revista Glamour publicou um artigo interessante, em novembro de 2021, sobre o metaverso da beleza, apresentando tendências relacionadas como cores surreais, pele etérea e texturas futurísticas.

  • Meta Skin: Futurista e sobrenatural, a pele entra em uma nova era de brilhos holográficos e cores iridescentes
  • Digital Lavender: tons de lavanda iridescente serão uma grande tendência nos próximos meses
  • Loaded lashes (cílios carregados): devido ao uso de máscaras, os olhos foram protagonistas nesses quase dois anos de pandemia e continuarão sendo. Os cílios estão surgindo como o próximo foco de atenção e estamos vendo cores, acabamentos e texturas muito atraentes e extravagantes
  • Metallips: a nova tendência de lábios inclui acabamentos opulentos, texturas metálicas e tons majestosos

The Walmart joy

Em outubro, a marca lançou uma campanha que, graças à tecnologia de reconhecimento facial, consegue detectar os tipos de presentes que as pessoas acham agradável de ver ao sorrir. Essa tendência vai optar pela cosmética e veremos como as empresas serão capazes de detectar o sorriso dos consumidores experimentando diferentes texturas e aromas.

Então, analisar o sorriso das pessoas ao experimentar os produtos cosméticos será o próximo target para validar a eficácia e a preferência dos usuários. 

Metaverse beauty shops

As marcas de beleza estão criando experiências de compra diferentes e inovadoras por meio da digitalização e da virtualidade. Existem marcas de beleza que criaram a opção de comprar com as amigas e em grupo para que as pessoas possam se encontrar, bater um papo em tempo real e navegar pelo metaverso. 

AR Packaging

A nova embalagem inclui códigos QR de fácil acesso que proporcionam experiências interativas em realidade aumentada para que as marcas possam melhorar a quantidade de informação incluída em um produto, tornando a experiência do usuário mais interessante. 

Gaming and fashion

Realidade virtual para cosméticos

Um post recente da Vogue diz que se a primeira capital da moda foi Paris e a segunda Nova York, a atual é o Instagram. Os jogos foram alimentados pela pandemia devido à incapacidade de criar experiências físicas. Diante disso, estamos vendo no mercado uma união muito interessante entre games e moda – alguns exemplos citados no artigo são Louis Vuitton com League of Legends, Moschino com The Sims e Jacobs com Animal Crossing, entre outros.

A Zara anunciou, em dezembro de 2021, o lançamento de sua primeira coleção real e virtual de moda e acessórios na Metaverso com a marca Ader Error. Portanto, nos próximos meses veremos novos conceitos onde os cosméticos começam a interagir em outros territórios como jogos e diversão. 

Cosmetic avatars

Na Internet e em outras tecnologias de comunicação modernas, um avatar é chamado de representação gráfica associada a um determinado usuário para identificação em um videogame, fórum da Internet, etc. Desta forma, a indústria da beleza está inovando graças à inclusão de avatares em conceitos muito interessantes.

A Prada relançou recentemente uma de suas fragrâncias em uma campanha de marketing com um avatar virtual que permite a interação com o perfume em uma variedade de conteúdos, incluindo vídeos e sessões de fotos. 

As implicações do metaverso

Um interessante post de novembro, publicado no Technology Review, fala sobre os desafios que o metaverso enfrenta, já que o novo ambiente exigirá avatares para nos representar virtualmente.

Essa nova realidade pode aumentar a autoimagem e os problemas de saúde mental, mas também pode reduzir a diversidade e fomentar estereótipos idealizados. A personalidade dos novos consumidores será moldada pelas experiências simultâneas do mundo real e virtual. Sem dúvida, as empresas cosméticas devem gerar estratégias que atendam a novos desafios.

Beautyverse

As fronteiras entre o real e o virtual estão começando a desaparecer. A indústria cosmética está pronta? Convido vocês a enviar suas opiniões e comentários sobre as tendências, oportunidades e realidades que o metaverso representa para a nossa indústria.

Bem-vindo à discussão! No in-Cosmetics Connect queremos ouvir seus comentários!


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John Jiménez é farmacêutico da Universidade Nacional da Colômbia com um master em desenvolvimento sustentável e estudos de especialização em marketing, ciência cosmética e neuromarketing. Possui 30 publicações em revistas científicas e um capítulo de livro em formulação cosmética. Recebeu os prêmios Maison G. de Navarre (IFSCC USA 2004), Henry Maso Award (IFSCC USA 2016) e melhores trabalhos científicos no Colamiqc Equador 2009, Colamiqc Brasil 2013 e Farmacosmética Colombia 2014. Também foi palestrante em várias conferências internacionais na Europa e na América Latina. Desde 2019, escreve uma coluna de tendências para In-Cosmetics Connect, desde 2013 uma coluna de tendências para Cosmetics & Toiletries Brasil e desde 2020 uma coluna sobre neuromarketing para a Eurocosmetics. Ele também é autor e co-autor de artigos e atuou no Scientific Advisory Board da Cosmetics & Toiletries magazine. Jiménez também atuou como presidente da Accytec Bogotá (2017-2019). Ele ingressou na Belcorp em 2005 e atualmente é Senior Researcher nas categorias de skin care, suncare and personal care. Antes de ingressar na Belcorp, trabalhou nos Laboratórios Esko, Whitehall AH Robins e Fresenius Medical Care na Colômbia.

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